Sunday, January 10, 2010

A Fonte


Noite passada eu sonhei que ia comer em uma casa ou apartamento muito chique, da realeza mesmo, em que eu tinha que me comportar direitinho para não dar gafe. Aquela casa já havia sido minha, mas agora estava totalmente diferente. Cheia de móveis, quadros e mármores. No meu tempo, as paredes eram verdes e a sala era vazia. E na sala, havia uma porta de ferro que dava para uma fonte, uma quantidade  enorme de água que brotava do solo, descia até o subsolo e fluía até o teto como se fosse o lago de uma caverna. Mas agora a porta de ferro havia sido bloqueada por uma parede nova. E a fonte não era mais acessível. Eu perguntava, e uma senhora que estava do meu lado e sabia como a casa era antes também perguntava, como alguém poderia ter aberto mão de algo tão precioso. Eu me recordava dos tempos em que eu havia sentado em frente àquela fonte para meditar e pensava sem rancor: que mundo louco. 

Mas aí eu saía da casa por um caminho de terra. Na minha frente,  ia um andarilho; um viajante que tinha um instrumento de sopro na mão, como uma corneta ou uma flauta. Sorrindo, ele colocou a ponta da corneta entre as grades de ferro de uma janela alta da parede da casa e soprou. O som reverberou por dentro da parede, e eu escutei o barulho das águas, da fonte que ainda existia lá apesar das pessoas daquela casa não a conhecerem mais. Aquilo me fez muito feliz e eu segui o andarilho com um passo leve e tranquilo. E de repente, eu era o próprio andarilho, ou andarilha, caminhando pela estrada de terra e tocando  a minha cornetinha.

E foi assim que eu chamei esse blog de Encontro das Águas. 




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